
O e-commerce no Brasil manteve um ritmo de crescimento acima da média global em 2024, consolidando o país como um dos mercados mais dinâmicos do varejo digital. Impulsionado pela popularização do Pix, pelo avanço do social commerce e pela intensificação da concorrência com a entrada de players internacionais, o comércio eletrônico brasileiro segue em transformação acelerada.
As conclusões fazem parte da edição 2025 do Online Retail Report, estudo da FTI Consulting que analisa o comportamento do consumidor e a evolução do varejo digital no país.
Crescimento do e-commerce brasileiro em 2024
De acordo com o levantamento, o e-commerce no Brasil cresceu 11,8% em 2024, superando a média global de 8,4%, e alcançou um volume de R$ 381 bilhões em vendas. Com esse desempenho, o canal digital passou a representar 9,03% de todo o varejo brasileiro, acima dos 8,62% registrados em 2023.
Esse avanço reforça a maturidade do mercado e evidencia mudanças estruturais nos hábitos de consumo, com impactos diretos na logística, na distribuição e na demanda por imóveis logísticos e industriais.
Pix se consolida como um dos principais meios de pagamento online
Um dos principais vetores desse crescimento é a rápida adoção do Pix como meio de pagamento no e-commerce. Criado pelo Banco Central há apenas quatro anos, o sistema já responde por 40% das compras online no Brasil, ficando atrás apenas do cartão de crédito, que concentra 44% das transações.
No cenário internacional, a dinâmica é diferente. Globalmente, as carteiras digitais lideram os pagamentos online, com 53% de participação, enquanto os cartões de crédito representam 20% das compras. O protagonismo do Pix destaca uma característica única do mercado brasileiro: a adoção rápida de soluções digitais simples e eficientes.
Social commerce avança e ganha protagonismo no Brasil
O relatório também aponta o crescimento expressivo do social commerce no Brasil. Atualmente, 77% dos brasileiros já realizaram compras por meio das redes sociais, percentual superior ao observado no Reino Unido (56%) e nos Estados Unidos (53%).
O Instagram foi a principal plataforma de compras no país em 2024, utilizado por 38% dos consumidores. A chegada do TikTok Shop ao mercado brasileiro tende a acelerar ainda mais esse movimento, repetindo o impacto observado nos Estados Unidos, onde a plataforma movimentou mais de US$ 9 bilhões em vendas em 2024.
Esse cenário reforça a integração entre entretenimento, tecnologia e consumo, característica marcante do varejo digital brasileiro.
Consumo online cresce mais rápido que o varejo físico
Segundo dados do EMARKETER, 46,1% dos brasileiros pretendem comprar mais online e menos em lojas físicas, índice significativamente superior ao do México (28,4%) e da Argentina (26,2%). Esse comportamento pressiona empresas a reestruturarem suas operações, com maior foco em eficiência logística, last mile e centros de distribuição estrategicamente localizados.
Compras pelo celular e aumento da concorrência internacional
Outro destaque do estudo é a predominância do uso de dispositivos móveis. 61% dos consumidores brasileiros utilizaram o celular na última compra online, percentual acima do registrado no Reino Unido (49%) e nos Estados Unidos (42%), onde o desktop ainda tem maior relevância.
Além disso, o relatório aponta o aumento da presença de empresas estrangeiras no mercado brasileiro, ampliando a pressão competitiva sobre o varejo local. Redes tradicionais enfrentam desafios operacionais e, em alguns casos, passam por processos de reestruturação. Como resposta, muitas empresas passaram a adotar estratégias promocionais inspiradas em plataformas asiáticas, como as chamadas “datas duplas”, a exemplo de 8/8 e 9/9.
O futuro do varejo digital no Brasil
Para a FTI Consulting, o ambiente competitivo do e-commerce brasileiro deve continuar em transformação. A combinação de consumidores altamente conectados, adoção acelerada de novos meios de pagamento, avanço do social commerce e entrada de novos players internacionais segue redesenhando o varejo digital no país.
Esse movimento exige maior capacidade de adaptação das empresas, além de investimentos em tecnologia, logística e infraestrutura, reforçando o papel estratégico do Brasil no cenário global do comércio eletrônico.
Texto publicado no site E-Commerce Brasil




